Buenas.
Eu nunca me liguei em política, economia e etc...
Sempre soube por cima os conceitos básicos do capitalismo, comunismo, socialismo e etc...
Em contra-partida sempre me interessei muito por história...e em especial pelas duas Grandes Guerras, nazismo, o holocausto..claro, não pelo horror em si do genocídio que foi a empreitada de titio Hitler, mas sim pelo contexto histórico, pela grandeza do que foi aquilo tudo...o absurdo.
Na verdade acredito que a história do nazismo, a trajetória de Hitler, o terror dos judeus...tudo isso fascina muita gente! Livros com a biografia de Hitler, depoimentos de judeus que sobreviveram aos campos de concentração...filmes retratando o holocausto...tudo isso é consumido vorazmente por milhares de pessoas. O nazismo é pop, e Hitler não poupa ninguém!
Bueno, mas me meti a falar isso tudo por conta de um livro que li, e depois assisti sua adaptação para o cinema.
Trata-se de Olga, o livro de Fernando Morais que retrata com detalhes e muita sensibilidade a vida de Olga Benario Prestes, esposa do mitológico Luis Carlos Prestes que, com sua famosa Coluna Prestes, desbravou o Brasil, caminhando vinte e cinco mil quilômetros combatendo o governo e defendendo o comunismo.
Fazia muito tempo que eu não pegava um livro pra ler. O máximo que vinha lendo eram revistas e, no máximo, um punhado de poemas aqui e ali...
Estava afim de dedicar minha cabeça a alguma coisa a mais. Achei esse livro perdido ali e resolvi começar a ler.
A narrativa de Fernando de Morais é tão envolvente que eu fui me interessando cada vez mais. E as passagens do começo da vida de Olga são recheadas de aventuras dignas de Hollywood.
E o livro vai ficando tenso à medida que Olga, após se envolver com Luis Carlos Prestes, vem para o Brasil e tenta com Prestes fazer a revolução comunista no país.
Daí em diante, o livro torna-se fascinante pelo jogo político que toma conta da trama. Espionagem, tortura, traições, alianças políticas secretas, a Gestapo no Brasil, o governo americano envolvido até o pescoço para não permitir que o comunismo entrasse no Brasil...tudo contado em detalhes numa narrativa hora empolgante, hora dramática...
E no fim, culmina com a deportação de Olga, que era judia e comunista, além de estar grávida de sete meses. Olga é entregue de bandeija pelo governo de Getúlio Vargas à Gestapo na Alemanha, onde Olga teve sua filha, Anita, numa prisão, e depois, foi separada da filha e mandada para um campo de concentração onde foi executada na câmara de gás em 1942.
Li o livro todo em três dias. Fiquei impressionadíssimo com a história, ainda mais por ser tudo comporvadamente real. Inclusive as questões mais secretas da política. O autor Fernando Morais, jornalista e escritor, ficou anos fuçando bibliotecas, embaixadas, cartórios e etc de Berlin, Munique, Washington, Paris, Londres...por todo lugar onde Olga e Prestes passaram...comprovando assim o envolvimento da Gestapo na deportação de Olga, na espionagem americana e britânica, infiltrando agentes secretos no partido comunista brasileiro...Realmente um trabalho de jornalismo fabuloso.
Aí, me empolguei para assistir o filme, do mesmo título e baseado no Livro de Fernando Morais.
Com a direção irretocável de Jayme Monjardim, o filme realmente impressiona! Além de contar com a belíssima e extremamente competente atriz Camila Morgado no papel principal, o filme ainda contou com Fernando Montenegro e Osmar Prado. Foi muito bem ambientado na época, tem uma fotografia primorosa e um roteiro fiel ao livro.
Como uma imagem vale muito, o filme acabou sendo pra mim mais intenso que o livro.
No livro, por exemplo, ao descrever a situação de Olga na prisão brasileira, o autor descrevia o geral, falava de várias pessoas que estavam ali presas, incluindo o escritor Graciliano Ramos e outras personalidades...falava das atividades ali, o que acabava não deixando impressa a tensão toda que Olga passava nos primeiros meses de gravidez.
No filme, por falta de tempo, esses detalhes foram excluídos, mostrando apenas a agonia de Olga.
Por várias vezes o filme faz tremer até mesmo o mais embrutecido dos corações.
A cena em que Olga é separada de sua filha é impressionante. Fortíssima, me fez ir às lágrimas inclusive, coisa que há muito tempo não acontecia comigo vendo um filme. A atuação de Camila Morgado é fantástica.
Sinceramente, fui assistir ao filme com aquele pé atrás, já que na grande maioria das vezes, filmes baseados em livros, dificilmente conseguem ser tão bons quanto o livro.
E este filme me impressionou. Extremamente fiel ao livro, claro, sem inúmeros detalhes, mas passou a mensagem do livro mais ou menos como eu imaginava.
Além de tudo, acho muito válido assistir filmes assim de vez enquando e depois parar um pouco pra pensar no que se acabou de ver. Pensar no horror da Segunda Guerra e do que representou a intolerância estúpida do nazismo nunca é demais. Pra se pensar no valor da vida e das diferenças. Pensar que milhares de vidas podem ser eliminadas facilmente, outras milhares, serem dominadas por um governo, ao mesmo tempo, tirano e sedutor como foi o nazismo que ganhou adesão da maioria da população alemã!
Pensar em como é doloroso, ser privado de estar com quem você ama, marido e filha como o caso de Olga...
Mas também, pensar o quanto vale a pena lutar e acreditar em seus ideias, sejam eles quais forem. Mas ter onde se apegar. Acreditar que você pode fazer alguma coisa especial. Ter certeza que tudo que você faz tem um sentido, uma razão. E vale a pena fazer sacrifícios por isso.
Pensar como é importante aprender a amar, não ter medo de se prender a alguém. Notar que é fundamental para a sobrevivência que tu ame alguém, seja amado. Porque isso é o que mais lhe trará forças.
São tantas as lições a serem tiradas da vida de Olga Benario Prestes. São tantas as verdades!
Por mais cruel, desumana, injusta e covarde tenha sido a morte de Olga Benario Prestes, com certeza ela não morreu em vão. E merece ser lembrada para sempre. Não só como mártir, mas como vencedora.
Abraços.
Mopho - 1:45 PM Comentários::
Quarta-feira, Março 26, 2008
Buenas!
Reflexões...
Tudo acontece de repente.
As coisas que mais deixam marcas, boas ou ruins, acontecem sem que tu se dê conta.
E eu insisto em querer planejar tudo. Negando meus instintos. Instintos esses que acredito, uma vez ou outra, estejam certos e minha racionalidade me coloque na contra-mão de tudo.
Num fim de semana tão cheio de surpresas como foi este, isso me deixa ainda mais pensativo.
Na verdade, não foi só o fim de semana. Acabo falando mais por tentar tornar o troço mais concreto para você, pobre leitor, que em geral fica aqui lendo idéias vagas...Mas fica claro pra mim, que quando eu me liberto dessa coisa de racionalizar tudo, acabo me saindo bem. Acho que tem a ver também com o lance de não me sentir pressionado.
Me sinto bem agora. Acho que há um bom tempo eu não vinha escrever neste blog me sentindo tão bem.
Acho que todo mundo já pensou em ser outra pessoa. Pelo menos ter características de outras pessoas...
É muito ruim quando você não se sente suficientemente bom. Ás vezes nem tanto para os outros, mas para si mesmo. É a velha história de auto-estima baixa, insegurança, falta de auto-confiança...Mas para os outros também.
Pensei muito nessa coisa de ser mais do jeito tal de Fulano, ou falar ou agir mais como o Ciclano...sabe como é? No fim das contas não consigo fazer isso. Por mais que eu não acredite em mim mesmo, não consigo também fingir ser outra pessoa. Mas mesmo assim me pressiono a tentar fazê-lo. E não consigo nada e ainda me sinto frustrado.
E de repente, quando largo mão de tudo isso, relaxo e deixo as coisas como estão, as coisas fluem naturalmente...
Bom, ou eu sou muito burro pra insistir nesse troço todo de querer raciionalizar as coisas, ou...sei lá...eu devo ser muito burro mesmo.
Mas isso não importa!
Agora, eu quero mais é aproveitar este momento bacana, eu me sinto bem. Não me sinto seguro, afinal de contas, nunca me senti, mas me sinto mais determinado.
Penso, logo desisto. Então não penso.
A letra de Hail Hail do Pearl Jam nunca fez tanto sentido pra mim quanto agora. Sim, me dou por vencido. Mas com a certeza de que estou no caminho certo. É como disse o velho guru George na canção Any Road: "se você não sabe pra onde está indo, qualquer caminho te leva até lá."
E como diz a já citada Hail Hail: "eu não quero pensar, quero sentir".
Estou determinado a não ter certeza de nada.
Estou determinado a viver tudo agora.
Estou determinado a não querer entender nem a mim mesmo, nem ninguém.
Num fim de semana tão maluco, noites de sexta feira e de sábado me fazem sorrir e acreditar numa certa doçura no mundo que aos poucos vinha sumindo...
Chega de pensar!
"(...)
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."
(do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos - 1928)
Mopho - 1:23 PM Comentários::
Quinta-feira, Março 20, 2008
Buenas!
Sobre a morte...
Por esses dias, com a páscoa e tudo mais, tenho visto em blogs e pela internet afora muita gente falando de suas crenças e etc...
Bom, eu resolvi entrar nessa onda e tensionei-me a vir escrever aqui por dois motivos: Primeiro porque é o tipo de coisa que eu gosto de expor meu ponto de vista. Segundo porque hoje eu acordei pensando na morte.
Sim, pois é nisso que eu realmente acredito. Na morte.
Parece mórbido, eu sei. Mas não vejo a coisa dessa forma, tendo em vista que a morte na minha concepção é o final de tudo. Como diria Raulzito, é que tudo acaba onde começou.
Realmente não acho que role essa coisa de alma, que teu corpo morre mas teu espírito continua por aí...evoluindo, como dizem alguns. A nossa evolução é aqui e agora.
Por isso deixei de considerar o suicídio uma saída há muito tempo.
A morte representa dignidade. É o ponto final. Tudo acaba mesmo em melancolia. E alívio imediato.
Não importa a forma como aconteça. com sofrimento, suavidade, sem dor...Não importa.
Eu não temo a morte. Não me importa que seja cedo ou tarde. A morte, surda, caminha ao meu lado. E eu não sei em que esquina ela vai me beijar.
A evolução é aqui! É agora. O espírito pra mim é a mente, aquela famosa grande parcela da mente humana que nós não usamos e não sabemos acessar...aquela velha história que o homeme usa só dez, vinte por cento de sua capacidade mental...o espírito é o inconsciente, o ego, o super ego...ou como tu quiser chamar. E com a morte, isso também acaba...o cérebro morre...minhas percepções, opiniões, amores...tudo morre junto.
Eu não gostaria de morrer agora. Na verdade, ninguém quer morrer de verdade. Nem mesmo o mais convicto dos suicidas. Se os suicidas não acreditassem na vida depois da morte...seja em espírito ou o caralho, eles não seriam suicidas.
Mas se eu tivesse que morrer agora. Se estivesse na iminência de meu coração parar de bater...eu aceitaria com a mente aberta. Acho que hoje eu já conseguiria morrer com dignidade. Satisfeito pela vida que tive até agora.
Claro que eu quero mais. Quero mais vida, mais conquistas, mais prazeres, mais sentimentos...mais!
Dizer que eu acredito na morte, significa também que eu acredito na vida. Significa que acredito que tudo tem um começo e um final.
A vida é como uma grande paixão. Assim sendo, vale terminar com as célebres palavras do Poetinha:
"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"
Mopho - 10:38 AM Comentários::
Quinta-feira, Março 13, 2008
Buenas!
Como já foi dito dois posts abaixo, acredito muito que a música tem muito a ver com os sentimentos. Não só metaforicamente, como descrevi minha paixão pela banda Pearl Jam, mas também, a música espelha o que se passa na minha vida, o que eu ando sentindo, pensando...
Por mais que, aparentemente, eu esteja numa fase muito rock n' roll, com a banda Intranse Cover a todo vapor, outros projetos que eu ando me metendo...o que eu tenho ouvido em casa, no trampo e etc, não têm sido nada muito rock n' roll, pelo menos não nesse aspecto mais...como dizer...direto da coisa...Músicas rápidas, com guitarras saturadas, gritaria e etc.
Tenho ouvido muito o que se costuma rotular de soft rock...principalmente seu maior expoente, a banda The Carpenters.
Falar dos Carpenters não é muito fácil, porque nem todo mundo com menos de trinta anos conhece a banda, sequer ouviu falar...e quem conhece torce o nariz para as músicas melosas e lentas que marcaram sua carreira.
A espinha dorsal dos Carpenters eram os irmãos Richard e Karen Carpenter. Richard, um exímio pianista e compositor inspirado. Karen, que começou como baterista da banda, uma vocalista talentosa, de voz forte e carisma ímpar.
Começaram pra valer em 1969 com a ajuda da cantora Petula Clark (aquela da música Downtown que toca na terceira temporada da série Lost). De cara conseguiram emplacar seu primeiro disco puxado pela bela versão de Ticket To Ride, dos Beatles, uma versão bem mais lenta, ao piano com uma harmonia muito bem construída.
No ano seguinte veio o grande sucesso com a música de Burt Bacharach (They Long To Be) Close To You, uma das minhas músicas favoritas, e que figura na trilha sonora do recente longa-metragem d'Os Simpsons.
Daí pra frente, eles reinaram nos anos 70. Richard Carpenter, se firmou como compositor ao longo da carreira emplacando grandes sucessos como We've Only Just Begun, Yesterday Once More e muitas outras.
Em 1977 a banda começou a ter sérios problemas com o decorrer de longas turnês e aquela conversa toda de bandas grandes que não aguentam o tirão...Richard viciou em soníferos e outros remedinhos coloridos, enquanto Karen, pirou em fazer dietas e mais dietas desenvolvendo uma anorexia crônica...
Mesmo assim, a banda continuou prodsuzindo, mas sem tanto êxito comercial. Além de tudo, eles começam a querer explorar novos rumos musicais e acabam se perdendo um pouco...gravando discos repletos de corais, naipes de metal, arranjos de cordas exagerados...e acabam deixando de lado as belas e simples melodias que os consagraram.
Mas sua popularidade seguia intacta apesar das criticas negativas. E vez por outra eles acertavam a mão, como com o disco A Kind Of Hush e o disco especial de Natal.
Karen Carpenter, cada vez mais doente pela anorexia, em 1982 resolve se tratar com um famoso psicoterapeuta. Muito decidida, ela têm exito com o tratamento e de cara engorda mais de cinco quilos. Que bom, né? Mais ou menos...seu corpo já debilitado não aguenta tamanha mudança e ela começa a ter sérios problemas cardíacos. Que ironia, não? Em 1983 uma parada cardíaca faz com que ela vá pro hotel dos pés juntos.
Mesmo assim, os Carpenters seguiram lançando discos, pois Karen deixou muito material inédito gravado, inclusive um disco solo inteiro que só viu a luz do dia em 1996 entitulado simplesmente Karen Carpenter.
Richard seguiu produzindo discos e etc, sempre cuidando da obra dos Carpenters até hoje, lançando DVDs e etc.
É uma banda que sempre me passa muita calma, me faz pensar nas pessoas que eu gosto, em todas as minhas dúvidas, meus sentimentos...mas principalmente me faz pensar sobre o amor, temática principal da banda.
Nada que eu ainda não tenha escrito por aqui...mas é foda.
Pelo menos esse post vale não só como dica musical, mas como um lance de auto-conhecimento...se tu parar mais pra prestar atenção no que tu anda mais ouvindo, tu vai ver essa conexão foda com o que tu anda sentindo, pensando, vivendo...
Essa é a grande mágica da música que me encanta tanto e faz com que eu simplesmente não consiga conceber viver sem essa porra!
Gostaria de agradecer a turma toda que presenciou a banda Intranse Cover no Berlin! Foi delícia cremosa! Valeu!

E sexta agora sou eu sozinho no bar do Paulinho, o famoso Bartificial. Quem quiser comparecer e conferir a bagaceira sonora, é só aparecer lá pela meia noite...não paga nada pra entrar e assistir o pequeno freak show...
Abração!
Mopho - 12:03 PM Comentários::
Segunda-feira, Março 10, 2008
Buenas!
Hoje me sinto poeticamente confuso. Existencialmente perturbado por tudo que me envolve. Paixões, rock 'n roll, amigos...é a vida que segue desenfreadamente e vai deixando apenas rastros nostálgicos, melancólicos. Pedaços de um coração que parece sempre se regenerar...sempre disposto a se mutilar de novo. Fragmentos de uma consciência desiludia, porém sonhadora.
Pra mim hoje é dia de poesia.
Então coloco aqui um dos poemas que mais marcou minha vida.
Um poema do poeta que mais influenciou minha vida, meu gosto pela poesia e minha perspectiva dos sentimentos.
Senhoras e senhores:
Vinícius de Moraes.
O dia da criação
Macho e fêmea os criou.
Bíblia: Gênese, 1, 27
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.
III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
Mopho - 4:02 PM Comentários::
Quarta-feira, Março 05, 2008
Buenas!
Uma das paixões mais avassaladoras da minha vida foi a banda Pearl Jam.
Eu já gostava de rock n' roll. Ouvia muito Nirvana, Offspring e Green Day. Achava tudo o máximo. Tocava numa banda legal chamada Siddartha, me divertia muito e tal.
Eis que foi proposto tocarmos Jeremy e Porch da tal banda Pearl Jam. Eu já tinha ouvido Alive e Black em algum lugar, mas sem dar muita atenção.
O então vocalista da banda, Guilherme "Kemp" Modesto, deixa o disco Ten do Pearl Jam comigo para eu tirar as duas músicas propostas.
Tirei as músicas e hostei muito delas. Principalmente Porch. E comecei a ouvir o disco inteiro. Chega a ser emcionante pra mim lembrar de quando ouvi aquilo tudo. A primeira música, Once já me ganhou...angustiante, pesada...em seguida a ganchuda Even Flow grudou no meu cérebro. Vão se seguindo Alive, Why Go, Black, Jeremy, Oceans, Porch...cada uma melhor que a outra. Riffs criativos, uma pegada intensa, o vocal incomparável de Eddie Vedder...mas as últimas músicas do disco que me fizeram realmente virar fã e querer ouvir mais e mais coisas da banda.
Garden é uma música que até hoje me chapa. Um climão etéreo das guitarras de McReady e Gossard, o baixo grave e profundo...a marcação no prato de condução...o vocal sussurrado no começo...pra eclodir num solo de guitara magnífico de McReady! Quando alguém procurasse a definição de feeling musical no dicionário, deveria encontrar "Ouvir o solo de Garden". Um solo que rasga tua alma com uma precisão cirúrgica!
Na sequência, a energética Deep deixa claro que, com o Pearl Jam, o buraco é mais embaixo e que ainda há muito por vir.
Pro final, eles reservam a bela Release, uma balada também cheia de climas de guitarra, mas com uma melodia doce, suave...
O Pearl Jam é, e sempre vai ser, uma das minhas bandas favoritas, dessas que por mais que o amor da minha vida sejam os Beatles e que eu vá conhecendo novas bandas, gostando de outros estilos, eu sempre vou sentir falta de ouvir aquele solo do Garden, ou o refrão de Even Flow...
Falei disso pra ilustrar com um pouco mais de leveza essa coisa do amor, de se apaixonar...assunto no qual tenho pensado muito ultimamente.
Porque eu não consigo me entender...entender como e por quê as coisas acontecem.
Mas parece que eu estou sempre querendo me apaixonar...sei lá, talvez seja carência, idiotice, romantismo...um pouco disso tudo junto...
Talvez seja isso que me atrapalhe tanto quando vou me relacionar com alguma garota. E estou realmente cansado disso. Porque as coisas acabam sempre indo pro lado contrário do que eu quero.
Não que eu não goste das garotas com quem já tive alguma coisa, sinta raiva ou fique magoado...pelo contrário, todas elas (como se fossem milhares...) são muito especiais pra mim, minhas amigas e tal...
Inclusive falei do Pearl Jam pensando um pouco nisso...de que eu acabo me envolvendo, o final acaba sempre o mesmo "a gente é amigo, tu tá confundindo as coisas" e tal...É uma merda, mas no fim, eu tenho um carinho muito especial por essas garotas, que sempre acabam mesmo se tornando grandes amigas.
Mas sei lá...acho que tava na hora de virar esse disco. Tava na hora de eu conhecer uma garota e não ficar nessa de amizadezinha...
Ando muito desencantado com tudo isso. Acho tudo uma merda. Não quero ficar nesse joguinhos de conquista...não quero me apaixonar de novo pra ouvir a mesma lenga-lenga que até já me acostumei a ouvir.
Porra, eu só quero uma trepada legal com uma garota interessante...com quem eu possa conversar e tal, e que role esse tesão...Vá lá que é isso que todo homem procura...sexo sem muito compromisso...Mas o troço é diferente pra mim, porque sempre tem essa coisa de eu acabar forçando pra ser um relacionamento. Eu sou sempre o tonto que se deixa envolver, fica apaixonadinho...É um saco! Eu quero ter essa naturalidade de ter alguma coisa com a garota...dar uns beijos, de repente até trepar, mas sem essa nóia de ter que ficar junto...
Não que eu despreze o sentimento. Acho legal se rolar esse lance, Mas acho que tem que ser mais natural...e recíproco, de preferência.
Assisti de novo o maravilhoso filme Antes do Amanhecer e, sei lá...assisti ele com outros olhos desse vez. Pensando muito nessa coisa do forçar a barra, do apaixonar-se, do sentir que o sentimento é correspondido...e depois, me veio a confirmação com o Antes do Pôr-do-Sol que assisti na sequência. Antes, eu me enxergava totalmente no Jesse, mas agora me vejo muito como um híbrido do Jesse e da Celine. Eu sou a insegurança impulsiva do Jesse com a cautela e racionalidade da Celine. O que é uma merda!
Esse texto não chega a conclusão nenhuma hoje. É só o que eu quero dizer e ninguém quer ouvir.
Só posso concluir o texto dizendo:
Ouçam com carinho a obra do Pearl Jam para perceber que banda extraordinária ela é!
Assistam os filmes Antes do Amanhecer e Antes Do Pôr-do-Sol para reforçar ou mudar seu conceito de paixão.
Compareçam no Berlin dia 08 de março para prestigiar a, cada vez mais renovada, banda Intranse Cover, que, não só trará novidades em seu repertório, como homenageará as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher.
Mopho - 12:32 PM Comentários::

